A Reforma Tributária pode quebrar pequenos negócios?
Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 214/2025, o Brasil entra em uma nova era tributária. O modelo atual de consumo — baseado em ICMS, ISS, PIS e Cofins — será gradualmente substituído pelos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), em um processo que vai até 2033.
Mas o que muitos ainda não perceberam é que o risco da Reforma Tributária não está na lei, e sim dentro das empresas.
A falta de organização financeira, a ausência de planejamento e a pouca clareza sobre clientes, fornecedores e custos reais podem transformar a transição tributária em um gatilho de crise para muitos pequenos negócios.
🧭 Por onde começar?
O primeiro passo é entender o seu próprio modelo de operação. No novo regime, cada empresa precisará analisar com profundidade:
Quem são meus clientes?
Se sua base é B2B (empresa para empresa), seus clientes buscarão créditos de IBS e CBS. Empresas do Simples Nacional, que não geram crédito para quem compra, podem perder competitividade nesse cenário. Já negócios B2C (para o consumidor final) mantêm vantagem no Simples, pois o cliente não usa crédito tributário.
O que posso me creditar?
Empresas fora do Simples, ou que optarem pelo modelo híbrido, poderão aproveitar créditos de IBS/CBS em suas aquisições. Isso pode reduzir a carga efetiva (depende das atividades e produtos vendidos), mas exige gestão estruturada, controles automatizados e acompanhamento constante.
Quem são meus fornecedores?
Fornecedores optantes pelo Simples não geram crédito tributário. Isso influencia toda a cadeia de precificação. Avaliar fornecedores e contratos passa a ser tão importante quanto vender bem.
Cada empresa precisará decidir, com base em seu faturamento, margem e perfil de clientes, se permanecerá no Simples, se migrará para o regime regular ou se adotará o formato híbrido.
A mudança pode aumentar custos administrativos, mas também abrir oportunidade de ganhos tributários — especialmente para quem já está próximo ao limite do Simples ou opera com grande volume de insumos.
💼 Profissionalização: o novo requisito de sobrevivência
A Reforma Tributária exige empresas mais profissionais e integradas.
Será preciso alinhar contabilidade, financeiro e comercial em torno dos mesmos dados.
A era do improviso acabou: sem controle de caixa, sem sistema e sem rotina de conciliação, o risco é alto.
A implementação do split payment — o recolhimento automático do imposto no ato do pagamento — muda o fluxo financeiro.
O valor do tributo não passará mais pelo caixa da empresa, reduzindo a folga do capital de giro. Isso significa que o empresário precisará planejar o caixa com mais precisão e revisar contratos para evitar surpresas.
A boa notícia é que empresas organizadas, com sistemas adequados e contabilidade atuante, podem transformar essa mudança em vantagem: menos erros, mais previsibilidade e decisões baseadas em números reais.
💰 Precificação: o elo entre gestão e rentabilidade
A nova tributação será “por fora” — o imposto aparecerá destacado na nota fiscal. Isso muda completamente a forma de calcular preços.
Veja um exemplo prático:
Um serviço de R$ 1.000,00 com carga atual de cerca de 8,65% até 11,65% (PIS/COFINS + ISS) passará a ter alíquota efetiva de aproximadamente 19,6% após a reforma, isso se a atividade dela tiver um redutor de 30%.
Isso eleva o preço final para cerca de R$ 1.115,86, com o imposto claramente destacado.
Quem não ajustar sua precificação perderá margem e competitividade. Seria um serviço de R$ 933,00 e IBS e CBS destacados de R$ 182,86.
Além disso, o novo sistema prevê uso e negociação de créditos tributários entre empresas, o que trará uma dinâmica completamente nova ao mercado. Negócios que planejarem bem seus custos e aproveitarem créditos estrategicamente poderão oferecer preços mais competitivos e sustentáveis.
Bom salientar três situações com o exemplo acima:
- O exemplo seria de uma empresa do regime lucro presumido.
- Nessa reforma tributária, estamos tratando de IBS e CBS, imposto sobre consumo, que substituem principalmente ICMS e ISS (para IBS) e PIS e Cofins (para CBS), ou seja, não falamos aqui de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre Lucro Líquido.
- A empresa teria que apurar as suas compras de produtos ou serviços que tivessem crédito para que desconte do seu valor a pagar de IBS e CBS.
🧩Conclusão
A Reforma Tributária não vai quebrar empresas — vai quebrar quem insistir em continuar desorganizado.
As empresas do Simples Nacional precisarão ir além da simplificação: entender seus clientes, seus fornecedores e o impacto do crédito tributário para que decidam mudar ou não para o regime normal ou tributar de forma híbrida. Isso tudo irá impactar na formação de preços.
Aquelas que profissionalizarem sua gestão, ajustarem seus sistemas e revisarem suas margens sairão na frente.
Aqui na Primme Contabilidade, estamos acompanhando cada etapa da transição para ajudar nossos clientes a se prepararem estrategicamente para o novo modelo tributário — com segurança, planejamento e foco em resultado.
Conte conosco para atravessar essa mudança com solidez e crescer nesse novo cenário econômico.